quinta-feira, 2 de junho de 2011

A EPOPÉIA SOBRE O PLEBISCITO DO TAPAJÓS (II)


Por Ednaldo Rodrigues (em 31/05/2011)

A segunda parte do artigo “A epopéia sobre plebiscito do Tapajós" é o resumo de uma viagem de 2004 até os dias atuais. Foi nesse período que houve avanços significativos na organização da entidade. As lideranças que estavam à frente do Movimento entenderam que era preciso renovar com a participação de novos integrantes e envolver os poderes Executivo e Legislativo do Oeste do Pará.

No segundo semestre de 2004, os principais representantes da Frente Popular pelo Estado do Tapajós, Odair Corrêa e Orlando Pereira procuraram apoio da Prefeitura Municipal de Santarém, de forma mais efetiva. Na época o prefeito Lira Maia determinou inicialmente para participar da organização social o então coordenador de Turismo Emanuel Júlio Leite e depois o seu assessor especial Eriberto Siqueira dos Santos.

Em seguida, o prefeito Lira Maia e o vice-prefeito Alexandre Von reuniram-se comigo, Ednaldo Rodrigues, que na época ocupava o cargo de Coordenador de Comunicação do Município. Prefeito e vice determinaram que eu representasse a Prefeitura Municipal de Santarém junto a Frente Popular a partir daquele momento. Eu já conhecia um pouco da história da emancipação do Oeste do Pará, como jornalista (Esqerda para a direita: Beth Lima, Eduardo Paiva, Emir Aguiar, Lira Maia, Reginaldo Campos, Ednaldo Rodrigues, Orlando Pereira, Odair Corrêa, Núbia Angelino.



Participei de uma reunião da Frente Popular representada naquela ocasião por quatro pessoas: Odair Corrêa, Orlando Pereira, Francisco Cunha e a professora Zilma Colares. Naquela reunião ficou decidido que o Frente precisava de maior articulação e mobilização social. Ao sair da Associação Comercial tive uma longa conversa com o vereador Reginaldo Campos (PTB) que participou da reunião como representante da Câmara Municipal. A partir dessa reunião, o vereador, jamais deixou de lutar pela emancipação do Oeste do Pará.

Percebi que havia necessidade de renovar o grupo e unir os demais movimentos que havia, mas sem atuação. Na época havia o Comitê pro criação do Estado do Tapajós (lideranças: ex-deputado federal Hilário Coimbra, advogado Tido Viana, médicos Emanuel Silva, Francimere Silva, historiador Hélcio Amaral; Fórum permanente pelo Estado do Tapajós (lideranças: Ademilson Pereira, Aldo Queiroz e João Elias) e a Frente Popular (lideranças: Odair Correa e Orlando Pereira). Sugerimos então que organizássemos juridicamente uma única entidade para cuidar dos interesses da emancipação.

Tivemos muito trabalho para reorganizar o que estávamos propondo. O então presidente da Associação Comercial e Empresarial de Santarém, o saudoso Ademilson Pereira, um grande entusiasta pela emancipação, disse-me em particular que era preciso encontrar um novo local para a Frente Popular se reunir.

A Associação Comercial e Empresarial de Santarém, um dos segmentos empresariais que sempre esteve ao lado do Movimento, destacamos aqui a efetiva participação dos os ex-presidentes Ivair Chaves, Hélcio Amaral, Ademilson Pereira, Renato Dantas, Olavo das Neves, o atual presidente Alberto Oliveira e tantos outros que sempre apoiaram o plebiscito do Estado do Tapajós nos últimos vinte anos.

No biênio de 2002/2004, o presidente da Câmara Municipal de Santarém era o vereador Emir Aguiar (PL), meu amigo particular. A alternativa era levar a entidade para a Câmara Municipal e antes de Odair e Orlando falar sobre um espaço na Câmara me antecipei para fazer bom uso da amizade que desfrutava com o presidente e ficou combinado que Frente Popular seria alocada na Sala das Comissões do Poder Legislativo.

Outro passo importante foi a criação de uma nova organização. Surgiu a idéia de criamos um movimento unindo todas as entidades anteriores. Com essas idéias as nossas reuniões foram tomando corpo. Quando a vereadora Beth Lima (PL) assumiu a presidência da Câmara (biênio 2005/2006) continuou dando apoio ao movimento, promoveu a reforma do prédio da Câmara e com ajuda de todos os vereadores designou uma sala para sediar o Movimento, inclusive cedendo parte dos equipamentos que foram completados na presidência do vereador José Maria Tapajós.

Mas estava faltando uma pessoa para liderar o novo Movimento. Uma pessoa que não tivesse perfil político partidário, mas com muito prestígio, que tivesse independência profissional e financeira. Uma pessoa que fosse respeitada e admirada pelas lideranças que já haviam encabeçado a luta pela emancipação.

Na condição de representante da Prefeitura Municipal de Santarém, eu tinha a responsabilidade de apresentar uma pessoa que ainda não tivesse desgastada. Tanto Odair Corrêa quanto Orlando Pereira, que muito já haviam contribuído com a causa, eles mesmos percebiam que estava na hora de apresentar uma nova liderança.

Lembrei-me de vários amigos. Amigos de décadas e cheguei ao professor Edivaldo Bernardo, que era meu grande parceiro na área cultural há mais de duas décadas.

A primeira vez que tentei conversar, ele não deu muita atenção a minha proposta. O mesmo aconteceu da segunda tentativa e me disse que no meio político havia muita picaretagem. Na terceira conversa disse a ele que havia muitas crianças, mulheres e idosos morrendo no Oeste do Pará por falta de remédios básicos, vacinas e outros direitos garantidos na Constituição do Brasil.

Em seguida disse-me que precisa ter alguma garantia de que não haveria traição no grupo ou pessoas usando a causa para se promover politicamente. Garanti a ele que se atendesse o nosso convite seria o coordenador do novo Movimento com a minha ajuda. Ele aceitou e o resultado todos nós já conhecemos. Somos a diretoria do Movimento e a geração que conseguiu aprovar o projeto que autoriza o plebiscito. É claro com a participação e articulação política de todas as nossas lideranças da região.

Fundamos o Movimento pelo Plebiscito do Estado do Tapajós, no dia 25 de maio de 2004, reunindo todas entidades criadas anteriormente para lutar pelo plebiscito, coordenado pelo professor doutor Edivaldo da Silva Bernardo e eu fiquei como Secretário Geral.

A nova entidade ganhou o nosso apoio técnico e a organizamos juridicamente, com Estatuto social, diretoria oficial e outras legalizações necessárias. Esse trabalho foi muito importante para a articulação e reaproximação de Santarém aos municípios do Oeste do Pará que fazem parte do Estado do Tapajós. (Diretoria do Movimento no biênio 2005/2007).


O Movimento contribui de forma decisiva, profissional e organizada com a luta pela criação do Estado do Tapajós: campanha de outdoor para a conscientização do eleitor do Oeste do Pará, no sentido de eleger deputados estaduais e federais da região.

O resultado da campanha culminou com a eleição de dez deputados estaduais e um federal, no ano de 2006. Além disso, realizou ações sociais importantes como atos públicos, reuniões nos municípios do Oeste do Pará e abaixo-assinados. Tanto que no dia 18 de setembro de 2007, às 11h24, foi protocolado com o nº 049630, o ofício nº 059/2007, 500 mil assinaturas solicitando o plebiscito do Estado do Tapajós, na presença de uma das maiores caravanas da região.

No dia 12 de setembro de 2007, a Associação Comercial e Empresarial de Santarém (ACES), sob a presidência de Olavo das Neves, liderou um manifesto com assinaturas de todas as associações comerciais do Oeste do Pará, solicitando aos deputados federais a realização do plebiscito.

No dia 05 de setembro de 2007, a Assembléia Legislativa do Estado do Pará aprova com a votação favorável de 36 dos 41 deputados estaduais, o Projeto de Lei, nº 19/2007, de autoria do deputado Alexandre Von (PSDB), que institui a Frente Parlamentar em Defesa do Plebiscito e Criação dos Estados de Tapajós e Carajás. Isso ocorreu após a realização de uma sessão especial na Assembléia Legislativa do Estado do Pará, provocada pela Diretoria do Movimento.

No dia 5 de maior de 2011, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o projeto 0731/2000, que autoriza a realização do plebiscito do Estado do Tapajós. No dia 11, o projeto seguiu ao Senado Federal e no dia 31 de maio de 2011 o projeto 19/1999, de autoria do Senador Mozarildo Cavalcante (PR-RR) foi aprovado por unanimidade.

Considerando a ano de 1823, data em que pela primeira vez o governo imperial sugeriu a criação de uma província na região, a população esperou 188 anos para conquistar o direito de se manifestar através de plebiscito sobre a Criação do Estado do Tapajós.

Essa luta, portanto, é semelhante a uma epopéia. Uma luta heróica e longa. Muito longa, haja vista que estamos falando apenas do plebiscito. Agora a emancipação do Oeste do Pará depende de todos. Cada cidadão pode ajudar com o seu voto favorável. Além disso, deve pedir a amigos e parentes que residem em Belém ou em outro município que votem TAPAJÓS SIM.

O autor é jornalista e professor universitário.
E-mail: ednaldorodrigues@hotmail.com

A EPOPÉIA SOBRE O PLEBISCITO DO TAPAJÓS (I)

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Por Ednaldo Rodrigues (em 31/05/2011)

Finalmente o Congresso Nacional aprova a realização do plebiscito do Estado do Tapajós, após uma luta que já somam 188 anos se tivermos como referência a assembléia Constituinte de 1823. O projeto foi aprovado por unanimidade no Senado Federal, em Brasília, nesta terça-feira (31/05), às 18h. Agora o Senado Federal tem até 15 dias para publicar o resultado da votação no Diário Oficial da União.

Tendo como base, o Pará Divido, livro de autoria do jornalista Manuel Dutra, no Brasil já houve diversos estudos de redivisão territorial, que datam do período de 1823, quando foi realizada a primeira Assembléia Constituinte.

Após a criação da Província do Amazonas, segundo Ferreira Penna, foi sugerida a criação da Província do Tapajós, para evitar conflitos entre o Grão-Pará e o Amazonas, nas áreas de Parintins, Óbidos e Santarém, em 1853. A redivisão territorial voltou a ser discutida novamente, para resolver as diferenças de limites entre as duas províncias, no ano de 1869. Na proposta de criação de novas províncias, no período do governo imperial, o tenente Augusto Fausto de Souza apresentou uma nova proposta, em 1877.

Após a instalação da República, foram feitas várias propostas de reordenamento territorial do Brasil e todas, sempre evidenciado a Amazônia e citando o Tapajós, seja como província ou como um futuro Estado.

Em seguida o reordenamento territorial da Amazônia, incluindo o Estado do Pará, apontada como alternativa de desenvolvimento social a criação do Estado do Tapajós, embora com outras denominações por diversas autoridades, como: Segadas Viana, em 1933 - Juarez Távora, em 1940 - Elias Ribeiro Pinto, sendo a primeira proposta partindo da região, no ano de 1950.

Depois Antonio Teixeira Guerra, em 1960; os deputados estaduais Alfredo Gantuss e Bularmaqui de Miranda; deputado federal Epílogo de Campos, em 1960; Samuel Benchimol, em 1966 e em 1980, o prefeito de Santarém Ronan Liberal, em reunião com prefeitos do Oeste do Pará, lançou a luta pela criação do Estado do Baixo Amazonas.

Em 1984, ocorreu uma importante reunião no Hotel Tropical, em Santarém (Hoje Barrudada Hotel Tropical) que consolidou um novo momento de luta pelo plebiscito do Estado do Tapajós.

Benedito Monteiro, Gabriel Guerreiro e Paulo Roberto todos deputados federais, fizeram um excelente trabalho e por pouco não criaram o Estado do Tapajós, na Assembléia Constituinte de 1988, que embora não tenha consolidado a criação do Estado, introduziu o artigo 12, no Ato das Disposições Transitórias e o relatório 01/90, cujo relator foi o Deputado Gabriel Guerreiro, da cidade de Oriximiná, como resultado da Comissão de Estudos Territoriais, em 1990.

O deputado Hilário Coimbra, em 1991 deu entrada no Projeto de Decreto Constitucional (PDC 120/91), aprovado na CCJ da Câmara dos Deputados.

Oficializado o Comitê Pró-criação do Estado do Tapajós, funcionando desde 1985; Fundada a Frente Popular pelo Estado do Tapajós, tendo coletado mais de 17 mil assinaturas, em pouco mais de 15 dias úteis, tendo dado entrada no Congresso Revisor, de uma emenda popular, protocolada sob o número 12.977-7, assinada pelo Sindicato dos Estivadores e outras entidades.

As 17 mil assinaturas, o relatório 01/90 e mais recentemente, as 500 mil assinaturas, resultado do abaixo-assinado de Movimento pelo Plebiscito do Estado do Tapajós respaldam o projeto do Senador Mozarildo Cavalcanti, em 1993; em 1995, Relatório da Comissão de Estudos Territoriais da Assembléia Legislativa do estado do Pará, dando viabilidade à criação do Estado do Tapajós, tendo sido relator o então deputado estadual Nivaldo Pereira.

O Senador Mozarildo Cavalcanti, entrou no Senado Federal com o Projeto de Decreto Legislativo de Consulta Plebiscitária sobre a criação do Estado do Tapajós, em 1999. Mozarildo aprovou o Projeto de Lei sob o número 19/99 na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJD) do Senado Federal (SF) em 10 de agosto de 2000.

Mozarildo aprovou, no plenário do Senado Federal, em 23 de novembro de 2000; Aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e Redação (CCJR) da Câmara dos Deputados (CD), anexado projeto do ex-deputado federal Hilário Coimbra, onde recebeu o número 731/2000.

A partir de 2004, a luta pela emancipação tomou um novo alento, coordenado pelo Movimento Pelo Plebiscito e Criação do Estado do Tapajós, juridicamente constituído e com apoio maciço, de diversos segmentos sociais de Santarém e, pela população do Oeste do Pará, consolidado com a realização de um Ato Público que reuniu mais de 30 mil pessoas, em Santarém, em 18 de agosto de 2006, às 17h, na Praça da Matriz.

Os fatos históricos provam que a idéia da criação desta nova Unidade Federativa partiu do governo central há mais de 180 anos. Apenas em 1950, Elias Pinto, um político futurista, sugeriu a criação do Estado do Baixo Amazonas e somente em 1980, o ex-prefeito Ronan Liberal, lançou a luta pela criação do novo Estado.

Essa luta é como uma epopéia, idealizada, liderada e sonhada por tantos que não tiveram a mesma satisfação em relação a geração atual. Infelizmente essas pessoas que sonharam com o Estado do Tapajós não tiveram a oportunidade de participar do plebiscito, que hoje é uma realidade, resultado de uma luta heróica e longa. Muito longa, pois estamos falando apenas do plebiscito.

Agora a criação do Estado do Tapajós não depende mais do Movimento. Não depende apenas do trabalho voluntário do Edivaldo Bernardo, Ednaldo Rodrigues, Luna Brito, Ildo Braga e Eliane Campos. Essas foram as pessoas que nos últimos anos responderam expediente na sala do Movimento, como se fossem funcionários.

O plebiscito agora depende de todos, pois cada cidadão do Oeste do Pará pode ajudar com o seu voto favorável e também pedindo a amigos e parentes que residem em Belém ou em outro município que votem TAPAJÓS SIM.

(A segunda parte da epopéia no próximo artigo).

O autor é jornalista e professor universitário.
E-mail: ednaldorodrigues@hotmail.com

sábado, 21 de maio de 2011

TAPAJÓS E CARAJÁS: UM DEBATE SOBRE A GEOPOLÍTICA ARCAICA DO PARÁ E DO BRASIL

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Durante a semana (16-20/05) estive em Belém. Na oportunidade conversei com um pequeno grupo de professores e de candidatos ao mestrado, no Campus da UFPA. Uma professora me apresentou como santareno do Tapajós. Houve uma reação imediata de três ou quatro pessoas. Aproveitei a oportunidade para fazer alguns esclarecimentos.


Informei que a nossa luta não é contra os paraenses, residentes na região metropolitana, nem contra esse ou aquele governante do Estado Pará. A nossa luta é voltada à melhoria das condições de vida de uma população que historicamente foi relegada ao abandono pela falta de funcionamento do aparelho do estado Brasileiro; pela criação de oportunidades e pelo exercício de nossa cidadania garantido na Constituição Federal.

Lembrei a eles que a exemplo de outras pessoas do interior do estado eu também estava concorrendo a uma vaga ao mestrado e o processo é realizado 100% em Belém. As fazes exigem a presença do candidato e, todas as vezes, precisamos pagar passagem de avião, se quisermos acessar esse direito.


Lembrei que as oportunidades para as pessoas que vivem na capital não são as mesmas para os quem vivem no interior do Estado e isso é excludente e cruel. Que a maioria dos cursos implantados em Belém, nas universidades públicas, há anos, jamais chegou ao interior do Estado, pelo menos nas cidades pólos.

Nesse espaço, peço, humildemente, as pessoas que detém um conhecimento maior que nos ajudem a chamar atenção do Brasil a colocar em pauta assuntos relevantes, capazes de contribuir de forma efetiva com o desenvolvimento social, cultural, político e econômico do País, em vez de nos acusar e diminuir a nossa histórica luta por cidadania. Afinal, todos somos vítimas do mesmo sistema opressor e desumano.

Nós que defendemos a realização do plebiscito de Tapajós e Carajás estamos oferecendo oportunidade única ao Brasil e ao Pará de discutirmos e revermos a nossa geopolítica. Esse modelo que está posto aí é arcaico, excludente, autoritário e centralizador, implantado de forma autoritária pelo Brasil Império e que se mantém até hoje.

Também compreendemos as reações tanto dos que são favoráveis, quanto dos que são contra a possibilidade de se desmembrar o Pará e criamos dois novos estados. Só não compreendemos o posicionamento da algumas pessoas esclarecidas, inclusive políticos eleitos por plebiscito e que fazem campanha ferrenha de baixo padrão contra a realização do plebiscito.

Isso demonstra de forma clara por que a geopolítica do Brasil jamais foi colocada em pauta. Isso demonstra o nosso despreparo e de nossos representantes políticos, pois o que estamos pleiteando está garantido na Constituição Federal, Artigo 18, parágrafo 3º, com a seguinte redação:

“§ 3º - Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.”

Nem o governador do Estado do Pará, mesmo após fazer o juramento, não tem o direito de ser contra o plebiscito. A constituição do Pará não está acima da Constituição do Brasil, que garante a realização de plebiscito, de acordo com o texto acima.

Outro assunto que está garantido no artigo acima é que o plebiscito será realizado, somente, na área diretamente interessada. No caso de Tapajós e Carajás as áreas diretamente interessadas são as regiões oeste e sul do Estado e não Pará inteiro, que historicamente, jamais demonstrou interesse em qualquer emancipação. Pode até acontecer ao contrário, mas esses políticos e empresários vão ter rasgar a constituição do país.

Disse aos belenenses que o Movimento pelo Plebiscito está disposto a discutir o tema em qualquer lugar com razão e equilíbrio, fundamentado nas questões históricas. Precisamos nos unir para debatermos a geopolítica do Pará de forma madura e não forma emocional.

Os belenenses precisam perceber que a emancipação do Tapajós vai contribuir ainda mais com a qualidade de vida dessa gente. Precisam ser mais paraenses do que já foram até hoje e deixar de acreditar em políticos que defendem a bandeira do contra por que é a única maneira de se reelegerem e se perpetuarem no poder.

Os mesmos que defendem o Pará grande, não fazem funcionar o aparelho do estado para evitar a morte de tantas crianças, mulheres e idosos no Oeste e no Sul do Pará. Os belenenses precisam perceber que esses políticos os convencem pela emoção, mas não dizem que a redução territorial do Pará remanescente vai melhor as condições de vida do povo de Belém, que detém um maior índice do IDH do estado.

Os paraenses da capital precisam ser mais espertos e começar a pesquisar e entender por que uma pequena elite de políticos e empresários é contra a emancipação. Precisam entender que o Pará não se resume a capital do Estado. Que existe uma imensidão de território onde as pessoas também gostariam de ter acesso a educação, saúde, saneamento básico, infraestrutura, segurança pública, lazer, entretenimento e outros serviços básicos, garantidos na Constituição de nosso país.

Paraenses de Belém e de outros municípios do Pará remanescente precisamos abrir nossos olhos. Se assim o fizermos vamos perceber que o nosso inimigo é comum: o modelo arcaico de nossa geopolítica. E esse modelo só vai mudar com a criação de grandes projetos de desenvolvimento que, certamente, passam pela criação de novos estados, em benefício do Pará, da Amazônia e do Brasil.

domingo, 8 de maio de 2011

CELSO ANTUNES MINISTRA PALESTRA EM SANTARÉM

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A Academia de Letras e Artes de Santarém (ALAS) confirmou a presença doescritor Celso Antunes (foto abaixo), em Santarém, nesta quinta-feira (12/05), às 19h30, no auditório Curuá-Una, do Barrudada Hotel (antigo Hotel Tropical), para ministrar uma palestra com o tema: “Novas maneiras de ensinar, novas formas de aprender”. ..
.Segundo o secretário geral da ALAS, Ednaldo Rodrigues, que está coordenando a programação, a palestra do escritor Celso Antunes faz parte do planejamento da entidade, que programou para 2011, a vinda de pelo menos dois escritores de projeção internacional visando promover intercambio cultural entre os convidados e a Academia.

A palestra é voltada ao público em geral, mas os alvos da entidade são professores e estudantes universitários, principalmente, dos cursos de Pedagogia e Letras. A inscrição de acesso a palestra, para profissional é R$ 30,00 e estudante mediante apresentação de carteira: R$ 20,00 e podem ser feitas na 5ª URE, SEMED (Rui Barbosa), UEPA, UFOPA, IESPES e ULBRA até o dia 11 de maio. No dia 12, a coordenação vai instalar um posto de venda no local da palestra das 9h às 19h. Quem fizer inscrição terá direito a certificado com cinco horas de carga horária. Os ingressos são limitados.

Para maiores esclarecimentos ou entrevistas, os interessados podem fazer contato pelos telefones: (93) 9183-0164 - (93) 9156-4247 - 9174-2598. A seguir a programação completa do dia 12 e o release do escritor Celso Antunes.

PROGRAMAÇÃO

19h30 – Abertura:

Fala do representante da ALAS.

19h35 – Apresentação musical.

Convidados: Odilson Matos e Ivone Silva (Membros da Academia de Letras e Artes de Santarém).

19h50 – Palestra de abertura.

Convidado: Dr. Edivaldo da Silva Bernardo (Membro da Academia de Letras e Artes de Santarém).

Tema: “Academia e Educação”

20h20 – Música instrumental

Convidado: violonista Sebastião Tapajós (Membro da Academia de Letras e Artes de Santarém).

20h30 – Palestra principal

Convidado: Celso Antunes

Tema: "Novas maneiras de ensinar, novas formas de aprender".
22h30 – Encerramento.

RELEASE CELSO ANTUNES

FORMAÇÃO:

Bacharelato e Licenciatura: Geografia, Universidade de São Paulo, 1962.
Esp. em Inteligência e Cognição, Universidade de São Paulo, 1968.
Mestre em Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 1969.

ATUAÇÃO:

Membro da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar (UNESCO)
Embaixador de La Educacion – Organización de Estados Americanos
Exército Brasileiro – Colaborador Emérito
Sócio fundador de Todos pela Educação - sociedade civil que reúne lideranças sociais, representantes da iniciativa privada e educadores.

PRODUÇÃO INTELECTUAL:

Autor de mais de 180 livros didáticos – ed. do brasil, ed. scipione. ed ao livro técnico e outras.
Autor de cerca de 60 livros sobre temas de educação – ed. vozes. ed. papirus. ed. artmed. ed. ciranda cultural e outras.

OBRAS TRADUZIDAS:

Argentina, México, Peru, Colômbia, Espanha, Portugal e outros países.

PALESTRAS E CURSOS:

Ministrou palestras e cursos em todos os estados do país, mais de 500 municípios.
Ministrou Palestras e cursos na Argentina, Uruguai, Peru, México e outros países.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

SOLIDARIEDADE E HIPOCRISIA

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Por Ednaldo Rodrigues (28/02/2011)

A polêmica mais recente, em Manaus, envolvendo o prefeito Amazonino Mendes e a paraense Laudenice Paiva, transformou-se num dos episódios mais comentados na semana passada, em vários noticiários de veiculação nacional (Foto baixada da internet).
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Depois que o prefeito, de forma preconceituosa, disse nas entrelinhas, que não tinha nada haver com os problemas sociais dos paraenses radicados em Manaus, uma atitude que todos nós do Oeste do Pará, futuro Estado do Tapajós refutamos, veementemente, por se tratar de xenofobia e abuso de poder. Consideramos a postura do prefeito autoritária e descabida.

No Pará, imediatamente, políticos como os vereadores de Belém e a Senadora Marinor Brito, trataram de aprovar documentos de desagravo e todos condenaram a atitude do prefeito manauara. Marinor, marinheira de primeira viagem, tratou de fazer discurso no Senado Federal, em defesa de Laudenice Paiva, a mulher paraense humilhada pelo cacique amazonense.
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O episódio entre o prefeito Amazonino e a paraense, os políticos de Belém e a senadora Marinor precisam saber de duas coisas: primeiro – não é a primeira vez que os filhos do Oeste do Pará são humilhados, espezinhados e diminuídos em Manaus; segundo – meio milhão pessoas migrou para Manaus por que o Pará, na pessoa de suas autoridades, que ficam encasteladas em Belém, jamais criaram oportunidade para melhorar a qualidade de vida das pessoas da região Oeste.

Vereadores de Belém e senadora Marinor, já houve casos em que pessoas da região perderam a vida por causa da xenofobia, entre amazonenses e paraenses, que, aliás, é histórica. Foi por isso, que na época do império quando foram criadas as províncias de Cametá e Manaus, também foi mencionada a criação da Província do Tapajós, com abrangência aos municípios de Santarém, Óbidos, Alenquer e Monte Alegre.

Segundo informações da Associação dos Filhos e Amigos de Santarém (AFAS), radicados em Manaus, hoje, residem 500 mil paraenses na capital do Amazonas. Desse total 70% são filhos do Oeste do Pará, que migraram em busca de emprego e de oportunidade que não encontraram na região de origem.

As pessoas que moram no Oeste do Pará têm uma relação muito forte com o Amazonas, bem mais intensa que, com a Capital Belém dos paraenses. Tanto que um dos meios de transportes mais usados, no trecho Manaus/Santarém/Belém é o barco. Entre Santarém e Manaus são registrados 16 barcos por mês; entre Santarém e Belém, apenas 8. Isso quer dizer que o Amazonas recebe por mês o dobro de pessoas dessa região do Pará, em relação a Belém.

A Senadora Marinor é do Oeste do Pará, mas ainda não declarou apoio ao Plebiscito do Estado do Tapajós. As lideranças desse Movimento não têm clareza se a senadora vai ficar ao lado da causa ou se fará o mesmo que ex-vice governador Odair Correia, que, quando teve oportunidade de defender o plebiscito, baixou a bandeira sem ninguém pedir. Talvez empolgado pelo glamour do poder, que de repente caiu no colo dele, mesmo que o mínimo prestígio tenha sido granjeado com o suposto ideal de emancipação.

Mesmo diante de todos esses problemas de ordem social e o coronelismo do atual prefeito de Manaus, não podemos esquecer que os amazonenses ajudam muito mais as pessoas que moram no Oeste do Pará, que as autoridades paraenses, principalmente, da capital.

Aprovar moções de solidariedade, documentos de desagravos, que é papel do falso poder dos parlamentares é muito fácil (Falso porque parlamentares aprovam tudo: executivo não executa nada). Difícil é resolver o ônus social que determina a sentença de quem vive e de quem morre pela ausência do efetivo funcionamento do aparelho do Pará, que só procura o cidadão em períodos de eleições e depois tudo fica como era antes, ou seja, verdadeiro estado de abandono.

Se as lideranças políticas do Pará, realmente, se importassem com os “paraenses” do Tapajós se envolveriam na realização do Plebiscito. Esse sim, seria um instrumento legal, capaz de forçar uma redistribuição de renda, gerar emprego e oportunidade ao cidadão da região Oeste.

Entre os dias 15 e 17 de março 2011, as lideranças do Movimento pelo Estado do Tapajós estarão em Brasília. Mais uma vez serão recebidas em audiência pelo presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT/RS). Um momento oportuno para as lideranças políticas do Pará, vereadores de Belém, senadora Marinor demonstrarem na prática que se importam com povo do Tapajós. Basta participarem da audiência e solicitarem a aprovação do projeto Nº 0731/2000 que autoriza o plebiscito.

Caso contrário todas as manifestações de solidariedade aprovadas na semana passada serão transformadas em uma enxurrada de hipocrisia. Oportunismo puro, quando pseudo- lideranças fazem média e palanque para lograr dividendo político, à custa do sofrimento de uma pessoa abandonada pelo seu estado de origem e humilhada por um prefeito cruel e insensível com os problemas sociais.

É jornalista e professor universitário.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

NOVA ESCOLA SERÁ INAUGURADA QUINTA-FEIRA

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A Secretaria Municipal de Educação (SEMED), fará na próxima quinta-feira, 17/02, a inauguração da mais nova escola da rede municipal de ensino construída pela Prefeitura de Santarém na Rua Chico Mendes, no bairro da Nova República.
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A escola municipal receberá o nome do maestro santareno, Wilde Dias da Fonseca. O educandário possui 10 salas de aula, secretaria, biblioteca, diretoria com banheiro, sala de apoio pedagógico, sala de professores, cozinha, refeitório, banheiros feminino e masculino, e atenderá alunos do 1º ao 9º ano.

A solenidade inaugural será presidida pela Prefeita Maria do Carmo, às 17h30.

Início das aulas - Hoje, 14/02, os alunos da rede municipal de ensino retornaram às salas de aula. Estudantes de 53 escolas da área urbana, e 29 do planalto foram recebidos com atividades diferenciadas. A partir de amanhã, 15/02, as aulas serão normais, conforme o calendário letivo, elaborado pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED).

Fonte: Assessoria de Comunicação da PMS

SANTARÉM PERDE UM DE SUAS PRINCIPAIS REFERÊNCIAS CULTURAIS
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Por Ednaldo Rodrigues
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O maestro Wilde Fonseca, 90, faleceu quinta-feira (28/10/2010), às 11h15min, em Santarém, no Hospital Sagrada Família, vítima de câncer. O Maestro foi internado dia 27, às 11h30min, quando o quadro da doença se agravou. Wilde Fonseca, carinhosamente, chamado de Professor “Dororó” completaria 91 anos de idade, no dia 13 de dezembro de 2010.
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O Maestro (Foto acima) nasceu em 13 de dezembro de 1919, em Santarém, Estado do Pará, Brasil. Filho de José Agostinho da Fonseca e Ana Dias da Fonseca. Em Santarém onde sempre viveu, fez todos os seus estudos: o primário no Grupo Escolar, atualmente, Frei Ambrósio, o ginásio através do Projeto Minerva e o segundo Grau, no Colégio Estadual Álvaro Adolfo da Silveira. Na Universidade Federal do Pará, Núcleo de Santarém, cursou licenciatura em Letras, em 1982.

Trabalhou como comerciário e ano Serviço Especial de Saúde Pública, antigo SESP, trabalhou durante vinte e três anos no Banco do Brasil. Aposentado pelo Banco do Brasil, não interrompeu suas atividades educacionais, passando a exercer o magistério como professor, nos colégios Santa Clara, Álvaro Adolfo da Silveira, Rodrigues dos Santos, Seminário São Pio X e Dom Amando.

Com a morte de Wilde Fonseca, morre também uma das maiores referências da cultura santarena. Como escritor deixou ao povo de Santarém e do Pará um grande legado através de sua produção literária e musical: é autor do livro “Santarém Momentos Históricos”, em sua 5ª Edição; “Rudimentos de Teoria Musical e Solfejo”, 3ª edição, “História do Colégio Dom Amando e da Congregação dos Irmãos de Santa Cruz no Brasil”, “Folclore em Santarém”; “Santarém Logradouros Públicos”.

Como músico amador também foi regente e co-fundador do Coral de Santarém e da Filarmônica Municipal Professor José Agostinho. O Maestro também participou de Painéis FUNART de regência coral em Vitória (Colégio Sacré Couer), Cuiabá (Universidade Federal de Mato Grosso) e São Paulo (Universidade de São Paulo – USP).

A Filarmônica Professor José Agostinho foi funda em 1963 e por mais de duas décadas foi regente e dirigente da entidade. Wilde Fonseca deixa como sucessor regente da Filarmônica, o seu filho João Paulo Fonseca, que seguiu o mesmo caminho do pai, regente e professor de Música, formado pela Universidade do Estado do Pará (UEPA).

Santarém, certamente, perdeu uma de suas maiores referências culturais. Diante dessa enorme perda os membros da Academia de Letras e Artes de Santarém, os residentes em Santarém, estiveram na Igreja do Santíssimo Sacramento para prestar sua última homenagem ao colega Wilde Fonseca.

Wilde Fonseca, um dos maiores historiadores de Santarém, entre todos os seus feitos em benefício da sociedade santarena a educação e a cultura foram as áreas que recebeu maior contribuição por parte do maestro.

Até os últimos dias de sua vida participou ativamente das reuniões da Academia de Letras e Artes de Santarém (ALAS), como titular da cadeira nº 22, cujo patrono era o pai dele, maestro José Agostinho da Fonseca.

PREFEITURA E UFOPA FIRMAM PARCEIRA PARA PESQUISA CIENTÍFICA

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Um convênio foi assinado na semana passada (10/02) entre a Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA e a Prefeitura Municipal de Santarém visando o desenvolvimento de programas, projetos e atividades no campo do ensino, pesquisa e extensão, voltados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.
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Pelo que estabelece o convênio, a UFOPA deverá assistir e apoiar a Prefeitura de Santarém em projetos Técnico-Acadêmico-Científicos de cooperação mútua no âmbito regional e amazônico de interesse do governo municipal, e este, apoiar a formulação e execução de projetos em que a UFOPA participa.
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A celebração do acordo assinado pela Prefeita Maria do Carmo e pelo Reitor Pro Tempore da UFOPA, José Seixas Lourenço, foi presenciada pelos secretários municipais da Prefeitura de Santarém, Marcelo Correa (Meio Ambiente) e Arildo Rego Carvalho (Turismo); pelo Procurador Jurídico do Município, Isaac Lisboa; pela Consultora Técnica do governo, Eunice Sena; e pelo professor da UFOPA, Jackson Rego.

Após a assinatura do documento no Palácio Jarbas Passarinho, a gestora municipal declarou que a parceria representa um avanço na área da pesquisa técnico-científica em Santarém.

Fonte: Assessoria de Comunicação da PMS